Feriado Municipal das Religiões de Matriz Africana

Um feriado marcado pela fé, agradecimentos e devoção aos Orixás. Assim foi o dia de ontem (30 de agosto), em comemoração ao Feriado Municipal das Religiões de Matriz Africana.

A Prefeitura de Santa Bárbara, através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, em parceria com Colegiado dos Terreiros de Candomblé e Umbanda de Santa Bárbara, Câmara Municipal de Vereadores de Santa Bárbara e o Instituto Diamantes da Bahia promoveu a Sessão Solene em Homenagem ao Feriado Municipal das Religiões de Matriz Africana.

Desde as primeiras horas de ontem, a movimentação das entidades representantes das Tradições do Candomblé e da Umbanda no município foi grande. Às 5h, foi realizado queima de fogos, às 9h30, foi a vez da palestra: O Sacrifício de Animais nas Religiões Africanas com a participação da palestrante Valdina de Oliveira Pinto, mais conhecida como Makota Valdina, educadora, líder comunitária e religiosa brasileira, militante da liberdade religiosa, como porta-voz das religiões de matriz africana, bem como dos direitos das mulheres e da população negra. Exerce a função religiosa de Makota (assistente de mãe de santo) do Terreiro Tanuri Junsara, no Engenho Velho da Federação, bairro em que nasceu e cresceu.

Para a Makota Valdina, a história do Brasil é profundamente marcada pelos séculos de escravidão. Apesar de lançado à mais triste condição a que um ser humano pode ser submetido, o contingente negro viu na fé em seus ancestrais uma possibilidade de refazer os laços, manter e recriar tradições e reconstituir, mesmo em termos simbólicos, as famílias, que, como parte da estratégia do sistema escravagista, foram completamente esfaceladas.

O Feriado Municipal das Religiões de Matriz Africana em Santa Bárbara tem a função de reconhecer e devolver ao negro essa noção de família foi a primeira função do candomblé, pois no espaço dos terreiros a identidade familiar foi recuperada, tendo nas mães e pais de santo suas figuras centrais. Assim como os quilombos, os terreiros foram espaços de resistência e luta.

O professor Arenildo, do Terreiro de Xangô, autor do pedido de registro da solicitação da criação do Feriado Municipal das Religiões de Matriz Africana, junto a Câmara de Vereadores, diz que a festa está crescendo cada vez mais, declarou o professor e militante do segmento do Candomblé e Umbanda

Para o Vereador Roberto Coutinho, "A luta de criação do feriado municipal no município foi muito grande. Pra gente, é muito importante esta luta do povo negro". Responsável pelo a apresentação da lei Municipal da Câmara de Vereadores para criação do Feriado Municipal das Religiões de Matriz Africana em Santa Bárbara.

No Mercado de Farinha, espaço de resistência cultural barbarense foi realizado a o segundo momento do evento - Candomblé no Mercado dando seguinte as comemorações. A partir das 11h, o som dos atabaques começou soar no Mercado de Farinha. Com vestimentas tradicionais, durante todo o dia, os grupos se revezaram em frente ao Mercado para fazer rodas de danças, com canções e oferendas para os Orixás.

O Pai Santo Bruno de Ogum, não conseguiu esconder a alegria no resultado final das comemorações do Feriado Municipal das Religiões de Matriz Africana no município e agradeceu aos parceiros na realização do evento.

A trajetória do negro no Brasil sempre foi de luta. Resistência, preservação e sobrevivência são conceitos indissociáveis na obra religiosa de matriz africana. Os terreiros devolveram ao negro a noção de família, possibilitaram a reconstrução de identidades e a manutenção de sua cultura. Daí a importante da continuação da celebração do Feriado Municipal das Religiões de Matriz Africana, declarou a secretária Claudia Santos, da Secretaria Municipal de Cultural, Turismo, Esporte e Lazer de Santa Bárbara

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